terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A Pedagogia da Alternância e seus instrumentos pedagógicos.

A Pedagogia da Alternância é uma metodologia de ensino adotada pelos Centros Familiares de Formação por Alternância (CEFFAS) e, entre eles, as CFR’s. A metodologia propõe períodos alternados de formação, compostos por uma semana intensiva de formação (com auxilio dos monitores e com ênfase a abordagem teórica dos conteúdos e temas estudados) e duas semanas na propriedade ou meio sócio-profissional (ênfase ao envolvimento da família e desenvolvimento das experiências produtivas);

Obs: Na modalidade de formação Pedagogia da Alternância das Casas Familiares Rurais, cada ciclo (ou ano) de formação é composto por 13 ou 15 alternâncias, ou seja, períodos anuais de 39 a 45 semanas. O ensino se dá de forma integrada, unindo os quatro anos finais do ensino fundamental em três ciclos; o ensino médio – também integrado – tem duração de três anos.
- O Ensino Fundamental atribui formação em agentes de desenvolvimento rural;
- O Ensino Médio oferece a formação técnico-profissionalizante em agropecuária, agrícola, florestal, aqüicultura, zootecnia ou agroecologia...

a) Instrumentos pedagógicos da Pedagogia da Alternância:
Todo o ciclo de formação na Casa Familiar Rural obedece a uma rotina que começa na propriedade – vem ao centro de formação – e volta para a propriedade. A partir disso e para garantir o melhor engajamento das famílias, utilizam-se os seguintes procedimentos ou instrumentos pedagógicos:
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1. Plano de Estudo (PE) – É um instrumento orientador de descoberta. O Plano de Estudo é elaborado previamente e orienta a pesquisa sobre o Tema Gerador proposto. Ele permite aos jovens o cruzamento da informação que já possuem com as informações novas resultantes da pesquisa. Ele é um conjunto de questões (um roteiro) elaborado conjuntamente e que os educandos utilizam durante as semanas no meio sócio-profissional para orientar sua pesquisa, junto com a família e a comunidade. É com base no Plano de Estudo que os educandos – mediados pelos monitores – realizam a colocação em comum e constroem os textos coletivos sobre o tema gerador no início de cada alternância. É importante lembrar que o Plano de Estudo permite a cada jovem: - Informa-se, pesquisar (Olhar – Observar); - Analisar, refletir sobre sua realidade (por que, como, onde, quando, conseqüências); e - Expressar (suas descobertas e reflexões). O PE orienta o jovem a fazer a relação do tema gerador com a sua realidade e necessidade.

2. Folha de Observação (FO) – Geralmente, quando um plano de formação apresenta falhas ou fraquezas em alguns aspectos da pesquisa, a Folha de Observação é proposta como uma atividade de pesquisa para os jovens. Ela é organizada por um ou mais membros da equipe de educadores e estará direcionada para a busca da complementação necessária do Plano de Estudo.

3. Caderno da Realidade ou da Propriedade – Na prática, este instrumento funciona como um diário, onde cada jovem registra os avanços, as descobertas, dificuldades e necessidades sobre suas experiências produtivas, suas pesquisas ou aprofundamento dos temas geradores. É um instrumento de registro, monitoramento e acompanhamento da formação. Recebe essa denominação por estar diretamente ligado ao processo de análise e interpretação da realidade ou de acompanhamento do desenvolvimento das experiências produtivas iniciadas na propriedade. Considera-se também como um instrumento de gestão do conhecimento e do empreendimento iniciado. O Caderno da Realidade é individual, e cada jovem registra nele aquilo que está diretamente ligado ao seu desenvolvimento, inclusive os momentos de interação com a família e a comunidade. A cada etapa, os monitores, especialmente os tutores, realizam uma análise do caderno ou buscam nele as necessidades de complemento na formação dos jovens.

4. Caderno didático – Também compreendido como as fichas pedagógicas, este caderno orienta o processo de desenvolvimento dos temas geradores com as informações técnicas e científicas sobre o mesmo. Serve de base e fundamentação teórica para o desenvolvimento do Plano de Estudo. Geralmente, esse caderno é elaborado pela equipe técnico-pedagógica durante o planejamento das alternâncias ou definição do plano de formação de cada turma; pode ser elaborado também a partir das necessidades manifestadas pelos jovens no decorrer do processo de formação. É um instrumento de ensino e aprendizagem, o que permite, inclusive, que os jovens contribuam na sua elaboração.

5. Caderno de acompanhamento da alternância – Este é o instrumento de registro do que acontece durante as etapas de formação na CFR. É através dele que a família poderá acompanhar tudo o que acontece durante a alternância, inclusive as demandas de pesquisa e a articulação da teoria com a prática na propriedade. Cada jovem possui o seu caderno e, nele, registra o que de importante acontece na CFR, especialmente o que está relacionado à sua formação, ao desenvolvimento de pesquisa e as questões orientadoras do Plano de Estudo. Esse caderno também é analisado pelos monitores/ tutores quando das intervenções pedagógicas e profissionais individuais.

6. Acompanhamento das atividades práticas de campo – complementar as visitas às famílias, esta atividade está relacionada diretamente ao desenvolvimento do projeto de Vida do jovem ou da experimentação prática sobre os temas geradores. Entendida como atividade de extensão, colabora na formação profissional dos jovens. É compreendida também como uma atividade de ATER ou de ATES desenvolvida pela equipe de monitores técnicos. Aqui, a prioridade é a experimentação prática do aprendizado e tem seus estágios acompanhados por profissionais das áreas correspondentes ou por aqueles que possuem conhecimentos técnicos relacionados. Esta atividade é desenvolvida prioritariamente na propriedade do jovem, envolvendo sua família, assim como pode envolver, também, a comunidade.

7. Projeto Profissional do Jovem (PPJ). Também chamado de projeto de Vida, o projeto profissional é o plano de trabalho formalizado pelo jovem sobre a experiência produtiva que pretende desenvolver a partir de sua formação ou para onde ela será direcionada. Esse projeto é construído desde a entrada do jovem na CFR e vai sendo aperfeiçoado conforme o desenvolvimento dos conhecimentos técnicos a ele relacionado. Entendido como projeto profissional, orienta o jovem a inserir-se no mercado de trabalho ou a gerenciar o seu trabalho para aquisição de renda. No ensino fundamental, o projeto profissionalizante (ou projeto de Vida) começa a ganhar forma, definindo-se os rumos que o jovem quer seguir. No ensino médio, ele orienta o estágio e a formação técnica-profissional, ou sócio-profissional como é praticada atualmente.

b) Ferramentas metodológicas da Pedagogia da Alternância:

1. Tutoria – Esta é uma ação desenvolvida pelos monitores. Estes assumem a função de tutores (orientadores) dos jovens, organizados em grupos ou individualmente, a fim de possibilitar-lhes maior envolvimento no processo de ensino-aprendizagem, orientar a busca de novas informações com o desenvolvimento dos planos de estudo e estimulá-los à vivência sócio-comunitária e na execução das atividades propostas, sejam elas teóricas ou práticas na propriedade. Podemos dizer que os monitores realizam, com esta prática, um acompanhamento diferenciado para cada jovem, dependendo de suas necessidades e pretensões dentro da CFR;

2. Planos de Estudos – O Plano de Estudo é fruto de um momento de discussão inicial sobre o tema gerador proposto. Organizados em grupos, ou individualmente, os educandos são estimulados a questionar-se sobre aquele tema e formular as questões orientadoras de sua pesquisa, junto à família e comunidade. Formuladas as questões, é feita a socialização e definidas – no coletivo – aquelas que orientarão a pesquisa dos educandos. Aqui, os educandos são estimulados a direcionar a sua pesquisa sobre o tema gerador, especialmente focalizando aquilo que está mais relacionado à sua necessidade de conhecimento ou prática produtiva.

3. Colocação em comum – Esta acontece no início de cada etapa no Centro de Formação e se dá a partir da exposição ou explanação da pesquisa realizada por cada jovem com o apoio da família. Primeiramente deve haver apreciação do trabalho (das respostas) pelos monitores; em seguida, acontece a Colocação em Comum propriamente dita, que é a socialização do Plano de Estudo conforme a descoberta e a linguagem de cada jovem. O principal produto da Colocação em Comum é um texto coletivo, com informações relacionadas ao tema gerador e sua relação com a demanda das famílias e da região. É um momento não só de socialização da pesquisa, mas de troca de informações e experiências direcionadas para a formação dos jovens. Propõe-se, entre outras técnicas: - Apresentação oral de cada plano de estudo/ realidade de cada família; - Discussão geral com todo o grupo; - Trabalhos em grupos; - Redação de um texto com a síntese das discussões que representam a realidade do grupo; - Contato individual com cada jovem/ Análise do resultado da pesquisa do plano de estudo.

4. Visitas e viagens de estudo – Estas visitas tem por finalidade levar os educandos a observarem a prática em ambientes diferentes àquele em que vivem e são motivadas pelo plano de estudo. Geralmente, visitam-se experiências produtivas inovadoras desenvolvidas na região e em instituições ligadas ao setor, onde o jovem poderá confrontar os novos conhecimentos teóricos com experiências práticas, realizando o intercâmbio de informações. Propõe-se que a cada semana de estudo na Casa Familiar Rural seja realizada uma visita de estudo ligada ao tema gerador que está sendo desenvolvido naquela semana; quando isso não é possível, pode-se investir em uma intervenção externa de qualidade com demonstração prática de experiências ligadas ao Tema Gerador.

5. Os serões de estudo – Estes momentos são vistos como etapas complementares de esclarecimentos ou aprofundamento do tema gerador. Usualmente são desenvolvidos nos horários noturnos, com uma programação mais leve, onde se deve garantir o máximo de integração da turma. Diferente da intervenção externa (que, em alguns casos, são desenvolvidas nesse espaço de tempo), os serões estão mais sob a responsabilidade dos monitores e educandos que, de forma lúdica ou artística, abordam questões relacionadas ao processo de formação e ao tema gerador.

6. As intervenções externas – Estes são momentos previstos para cada uma das alternâncias, abordando-se de forma mais prática, ou técnica os temas geradores. É comum e importante garantir uma intervenção externa de qualidade, ou seja, estimular o envolvimento de especialistas a compartilharem suas experiências com os jovens da CFR. Essa qualidade da intervenção é garantida – também – pela experiência prática de quem compartilha as informações. O planejamento da alternância já deve garantir previamente o momento da intervenção externa em cada uma das alternâncias.

7. Atividades retorno (experiências aplicações) – Essas atividades surgem como resultado da discussão e encaminhamentos do ou sobre o tema gerador e cumprem a finalidade de trazer elementos técnicos ou informações necessárias para a família ou para a comunidade sobre aquele tema em estudo ou sobre àquelas necessidades manifestadas quando da pesquisa para a resolução do plano de estudo. Esses momentos acontecem durante as duas semanas na família/ comunidade e servem também de estímulo para o maior envolvimento das outras famílias na discussão e resolução dos problemas próprios da comunidade.

8. Visitas às famílias e comunidades. Com um cunho mais pedagógico, a visita às famílias também é uma técnica de avaliação do desempenho do jovem e do envolvimento dos familiares no processo de formação. Não se trata de uma visita técnica na propriedade, mas é um momento de coleta de dados para a atualização do diagnóstico sobre os aspectos social e humano da formação desenvolvida e sobre o engajamento do educando. É um estímulo à integração da família e da comunidade que, também, são atores importantes no processo de formação. Esse momento oportuniza a aproximação da equipe técnico-pedagógica com os pais e contribui para que a Tutoria tenha um efeito mais positivo, já que os monitores captam mais e novas informações sobre o desempenho na família e o envolvimento do jovem no meio comunitário (social). Quando há necessidade, a visita às famílias se transforma em momento de formação complementar, esclarecendo dúvidas e procedimentos sobre as atividades práticas na propriedade, ou ainda, pode-se trabalhar as deficiências de aprendizagem e interação social do jovem.

9. Estágio – Este cumpre uma finalidade mais técnica do aperfeiçoamento da formação dos jovens, de forma individualizada ou compartilhada. O Estágio já deve ser previsto no Plano de Formação, assim como estabelecidas as parceiras e convênios para garantir a continuidade da formação pela CFR. Pode ser desenvolvido na parceria com empresas de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), com entidades que desenvolvem a Assessoria Técnica, Social e Ambiental (ATES) na região ou com empresas e produtores que possuem uma experiência produtiva em estágios mais evoluídos e onde os jovens possam aprimorar informações e conhecimentos ou praticar aquilo que já aprenderam no Centro de Formação. O estágio pode, ainda, estar direcionado ao projeto de Vida do Jovem.

10. Avaliação – Durante as semanas de capacitação ou mesmo durante a estada na propriedade com o acompanhamento dos técnicos e monitores, são desenvolvidas atividades de avaliação com objetivo de acompanhar e mensurar o desenvolvimento dos jovens e o conhecimento por eles construído a partir dos temas geradores e das experiências produtivas. Experimentações, produções textuais, exposição e argumentação, debates e soluções de questões propostas em esquemas ou formulários constituem-se como instrumentos e meios de avaliação da formação desenvolvida na CFR.

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